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Ramatis Livros Espíritas Universalistas

Ação dos Hipnus

Ação dos Hipnus

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Livro Tambores de Angola pág, 20, Ação dos Hipnus

..” Observei novamente extasiado o que acontecia diante de meus olhos.

Enquanto o corpo do moço se encontrava estendido em sua cama, desdobra-se diante de nós, o espírito dele que, meio atordoado não conseguia divisar-nos a presença. Parecendo um robô, dirigiu-se a esmo para rua como se fosse teleguiado por forças desconhecidas, embora se mantivesse ligado ao corpo físico por um cordão fluídico finíssimo, de cor prateada.

Acompanhamo-lo. Seguia por regiões inóspitas da paisagem espiritual, parecendo dirigir-se a lugar conhecido. Adentramos a construção atrás de Erasmino, que permanecia sob o domínio de alguma força misteriosa….avistamos imenso prédio…

Tudo era limpo. O chão em que pisávamos era de material semelhante ao granito, conforme observara na Terra. Um balcão iluminado funcionava como recepção, onde o espírito de uma mulher, de aparência jovem, recebia outros espíritos que ali chegavam com objetivos que eu, no momento nem imaginava. Era a imagem do luxo exagerado. Luminárias.

pendiam do teto em cores variadas, parecendo cristais. Espíritos iam e vinham em varias direções. A cena era de difícil descrição, pela riqueza de detalhes. Alguns desses espíritos estavam vestidos conforme o figurino de homens finos do século xx, trazendo no semblante a arrogância de certos magnatas que pude conhecer quando encarnado. Outros se mostravam em trajes de épocas variadas, como se encontrassem ali personagens de tempos históricos diferentes; e outros ainda nem tão arrumados assim, mas pareciam seres trevosos, com aparências terríveis, que, caso se mostrassem aos encarnados, certamente causariam pavor.

Era toda uma população de almas do outro mundo ou deste mundo, que entravam e saíam do prédio.
Olhando por aquilo que julguei serem vidraças, pude ver que do lado de fora, intensa tempestade se fazia, dificilmente podendo observar o ambiente externo. Em frente a algo que se parecia um elevador, havia uma inscrição em vários idiomas: “AQUI TEMOS TODAS AS POSSIBILIDADES DE EXECUTAR SEUS PLANOS DE VINGANÇA. O ÓDIO E O DESESPERO SÃO AS FORÇAS QUE UTILIZAMOS PARA CONDUZI-LO AO SEU OBJETIVO. POR FAVOR, PROCURE NA RECEPÇÃO A INFORMAÇÃO ADEQUADA PARA O SEU CASO E CONTE COM NOSSO SISTEMA, POIS ELE NUNCA FALHA”.

E abaixo da inscrição estava assinado: “OS MAGOS DA MENTE”.

Todo aquele conjunto arquitetônico fora então elaborado com a finalidade de abrigar espíritos dedicados a planos funestos de vingança. Era toda uma organização das trevas, com os requintes da modernidade, da tecnologia e os demais recursos que o homem encarnado conhecia na atualidade, mas que certamente iriam além, com possibilidades que nós mesmos desconhecíamos.

Entramos no elevador ou algo parecido, acompanhando o espírito desdobrado de Erasmino, que permanecia sob domínio invisível. Subimos vários andares e paramos em local desconhecido, onde havia nova placa com os dizeres: “ALA DE CIENCIAS PSICOLOGICAS”.

Seguimos Erasmino por extenso corredor, por onde trafegava grande quantidade de espíritos, enquanto outros esperavam sentados à porta de algumas salas, como se esperassem para ser atendidos. Havia placas de “SILENCIO” em varias portas como se fossem consultórios de moderno edifício. O moço desdobrado parou mecanicamente em frente a uma porta, que se abriu assim que ele chegou. Entrou silencioso e nós o acompanhamos. A sala era imensa, consideradas as proporções de outras semelhantes na Terra, com decoração esmerada e uma luminosidade avermelhada envolvendo todo o apartamento. Móveis modernos foram moldados na matéria astral, de maneira a lembrar um consultório de psicanálise da Crosta. Sentado atrás de algo que se afigurava uma escrivaninha, estava um espírito de aparência grave, estatura alta, trajando um moderno terno preto que, se visto por alguém da Crosta, seria considerado de extremo bom gosto. Era um perfeito “gentleman”, como o chamariam os encarnados.

Em frente a ele, sentado numa cadeira de recosto, um velho, não tão arrumado como o outro, aparentando mais ou menos sessenta anos de idade e mais ao fundo, dois outros espíritos de aparência jovem, impecavelmente trajados com cabelos longos presos atrás, formavam o grupo que ali encontramos.

Tudo me parecia muito estranho, mas Arnaldo pediu-me para observar apenas, pois mais tarde teríamos como retornar ali para realizar alguma tarefa que teria relação com o caso.

_ Eis nosso pupilo – falou o espírito que parecia comandar a situação.

– Veja como obedece-nos a influência. Aos poucos, irá se submetendo ao nosso domínio, até que esteja totalmente à nossa mercê.
_ Mas vocês irão acabar com ele para mim. Esse miserável não me escapará e espero que tenham condições de fazer o mesmo com aquela bruxa velha que se diz ser mãe dele – falou o outro espírito que parecia mais velho, o responsável pela desdita de Erasmino.
_ Claro, claro – redarguiu o outro – afinal você é nosso cliente e aqui nós não brincamos em serviço. Vê meus dois amigos ali? – apontou para os dois espíritos que se mostravam mais jovens. São meus melhores magnetizadores. Elial e Dario. São na verdade, dois excelentes psicólogos e conhecem a fundo os problemas da alma humana.

Trabalham diretamente sob o comando central. Veja como atuam e se certifique de que nós cumprimos o que prometemos.

Ainda quando falava, os dois espíritos conduziram Erasmino até um divã e o fizeram deitar-se. Elial postou-se a um lado, enquanto Dario localizou-se num pequeno assento próximo à cabeça de Erasmino. O primeiro aplicava-lhe intensas radiações magnéticas na região do bulbo raquidiano e o outro falava mansamente com um tom monótono:

_ Erasmino, Erasmino. Você ouve apenas a minha voz. Sinta-se em casa,sereno e tranqüilo. Sua mente é agora a minha mente, seus pensamentos, os meus pensamentos. Você está cada vez mais sob o meu domínio. Você está aos poucos perdendo a identidade. Mergulha no passado. Não se encontra mais no presente…

Aos poucos, a entidade projetava sobre Erasmino intenso magnetismo, enquanto continuava:

_ Volte ao passado. Volte ao passado. Volte. Volte. Você está cada vez mais retornando, em outro tempo, outra época. Lembre-se, você não se chama mais Erasmino. Seu nome é outro. O tempo é outro. Estamos em seu passado.

Cenas singulares se desenrolaram, então. Envolvendo as entidades magnetizadoras, como numa projeção holográfica, foram se passando cenas e mais cenas, como num filme, mas em sentido contrário. Parecia que estavam mergulhando em memórias do tempo e em todas essas projeções que, como uma nevoa, os envolviam, podia-se ver a figura de Erasmino, em várias situações. Sua mente parecia irradias estranhas vibrações.

Contorcia-se sob o poder magnético daqueles espíritos, que continuavam sua estranha tarefa:

_ Você está bem. Muito bem. Mantenha-se agora fixo nessas recordações.
Depois nós iremos mais longe no tempo. Você se manterá nesta situação. Está sob o domínio de nossas vozes…

Os espíritos que observavam de longe sorriam, parecendo satisfeitos com o que acontecia.
Ouvimos o dirigente das trevas falar:

_ Temos aqui os modernos recursos de fazer qualquer retornar ao seu passado. Mas não podemos fazer milagres. Temos que ir devagar. Um pouco em cada sessão. Depois que for despertado todo o seu crime, ele estará irremediavelmente em nossas mãos. Por ora o ligaremos a alguns fatos desagradáveis de seu passado mais recente.

Depois, através da indução, estará em suas mãos. Nós o entregaremos a você, como nos encomendou. A um sinal seu, os dois magnetizadores interromperam a estranha terapia do mal. Continuou:

_ Como sabe, nosso trabalho tem um preço.
_ Sim! Sim! Eu sei e estou disposto a tudo para me vingar…
_ Pois bem! Você tem muitos contatos entre os do submundo e nós temos interesses em comum…

As entidades diabólicas discutiam planos de destruição e interferência no progresso individual e coletivo. Dario, espírito de aparência jovem, bem apresentado, olhos azuis intensos e sorriso largo, a um sinal do “chefe”, conduziu Erasmino para fora daquele prédio, levando-o para outra ala.

Acompanhando-os, entramos em outro ambiente; estava escrita a seguinte frase no portal de entrada: “ALA DE IMPLANTES E CIRURGIAS”.

Olhei para Arnaldo e a um sinal seu, permaneci calado, observando. Diante de nossa visão espiritual, surgiu um estranho laboratório naquela construção das sombras. Aparelhos estavam espalhados por toda a ala, dispostos de maneira extremamente organizada. Espíritos vestidos de branco, parecendo enfermeiros e médicos, transitavam entre a aparelhagem, em perfeita disciplina e silencio. Parecendo um moderno computador, estava sobre uma mesa, um aparelho que mostrava contornos de um corpo humano em três dimensões e mais afastadas várias “macas”, o que sugeria uma sala de cirurgia.

Erasmino, espírito que fora para lá conduzido, como hipnotizado, sob o domínio de Dario, deitado sobre a maca em decúbito ventral, esperava a intervenção diabólica dos espíritos trevosos. A organização era levada ao Máximo de importância. Um dos espíritos vestidos de branco aproximou-se de Dario e após trocar breves palavras, dirigiu-se ao que se assemelhava a um computador. Falando algo por uma espécie de microfone, recebeu as informações de que necessitava, enquanto a imagem holográfica de Erasmino aparecia diante de si. Era a extrema técnica a serviço das trevas.

Dirigiu-se, então, para a maca onde o espírito desdobrado do rapaz se encontrava e começou uma estranha cirurgia. Pequeno aparelho foi implantado em determinada região do cérebro perispiritual e Erasmino, para produzir impulsos e imagens mentais, caso a pratica de indução falhasse. Eram extremamente rigorosos em suas realizações e não cometiam nenhuma imprudência. Tudo previram naquele caso doloroso, mas não sabiam da nossa presença no local, por estarmos em vibração mais elevada. Seus aparelhos não captavam nossa presença espiritual, nem eles tinham condição de detectar nossa vibração, por se localizarem em faixa mental inferior, com objetivos ignóbeis. As artimanhas das trevas poderiam ser consideradas perfeitas, não fossem suas reais intenções.

Dario falava com o médico das trevas, com voz pausada e educação esmerada. Após a cirurgia, que não durou mais que alguns minutos, Erasmino foi liberado pela falange do mal, que permanecia em colóquio sombrio. Enquanto conversavam, Erasmino foi retornado pelo mesmo caminho de onde viemos, e acompanhamo-lo de volta, anotando todos os detalhes da situação. Deixamos as perversas entidades no seu estranho conclui-o, e segui calado o companheiro Arnaldo, que me falava:

_ Vê, meu amigo, como os espíritos trevosos são organizados? Neste prédio, encontra-se um dos postos mais avançados das sombras. Nele trabalham cientistas que se especializaram em doenças viróticas, em epidemias e processos requintados de interferência nas estruturas celulares dos irmãos encarnados. Outros, psicólogos, psiquiatras e psicanalistas, os quais, como estes que presenciamos, são especialistas nas questões da mente, nas modernas técnicas de ficoterapia, com objetivos diabólicos, pretendendo atuar diretamente nas mentes de dirigentes mundiais, em pessoas que ocupam cargos importantes no mundo terreno, em religiosos, pastores e dirigentes espirituais, pelo uso do magnetismo, que sabem manipular com maestria.

Toda essa organização utiliza os modernos métodos desenvolvidos na Terra. Entretanto, fazem-no para prejudicar, atrasando o progresso da humanidade, pois sabem que bem pouco tempo lhes resta para continuarem com seus desequilíbrios, espalhando a infelicidade na morada dos homens: em breve poderão ser banidos da psicosfera do planeta e não ignoram o destino que podem ter. Os espíritos infelizes que lhes contratam os serviços especializados, se mantém a eles ligados por processos que não compreendem, pois eles mesmos se enganam com o poder ilusório que julgam possuir. Tentam fazer-se deuses e são, na verdade, apenas homens, embora desenfeixados do corpo carnal.

_ Mas eu não esperava que estes espíritos fossem tão requintados em suas ações e métodos… – falei para Arnaldo.
_ Muitos pensam, inclusive os espíritas, que as entidades das trevas são espíritos que pararam no tempo e que se utilizam ainda de métodos antiquados de domínio, quais os que se utilizavam na Idade Media da Terra, ou nas civilizações mais antigas que desapareceram ao longo dos séculos.

No entanto, podemos observar que tais criaturas infelizes, como os homens na Crosta, se disfarçam sob o manto enganador das aparências, das construções suntuosas, sob o abrigo da vaidade e do orgulho mal dissimulados e, como os homens terrestres, guardam sob essa aparência a sordidez do caráter inferior, a serviço de intenções inconfessáveis.

Também as forças das trevas têm o requinte da civilização…

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