• Brasil
Ramatis Livros Espíritas Universalistas

Mansidão não significa tornar-se capacho

Mansidão não significa tornar-se capacho

Facebooktwitter

Segue uma antiga história hindu:
“Certa vez, uma perigosa naja vivia numa colina rochosa, nos arredores de um vilarejo. Esta serpente se irritava muito com qualquer ruído nas cercanias de sua toca e não hesitava em atacar qualquer criança do vilarejo que a perturbasse ao brincar nas redondezas. Numerosos casos fatais daí resultaram. Os habitantes do vilarejo fizeram todo o possível para exterminar o réptil peçonhento, mas não obtiveram êxito. Por fim, foram em grupo a um santo eremita que vivia ali perto e lhe pediram que utilizasse seus poderes espirituais para deter a atividade mortífera da serpente.


Sensibilizado com as súplicas fervorosas dos habitantes do vilarejo, o eremita seguiu para o local onde morava a cobra e, com a vibração magnética de seu amor, atraiu a criatura. O mestre disse à serpente que era errado matar crianças inocentes e a instruiu a nunca picar novamente, mas a praticar o amor a seus inimigos. Diante da influência inspiradora do santo, a serpente humildemente prometeu reformar-se e praticar a não-violência.


Pouco depois o eremita deixou o vilarejo, numa peregrinação que duraria um ano. Em seu retorno, ao passar pela colina, pensou: “Vejamos como minha amiga serpente está se comportando”. Ao aproximar-se da toca da serpente, surpreendeu-se ao encontrar o infeliz réptil estirado do lado de fora, quase morto, com várias feridas supurando em seu dorso.


O eremita disse: “Olá, senhora serpente, o que significa isso?” A serpente dolorosamente sussurrou: “Mestre, este é o resultado da prática de seus ensinamentos! Quando eu saía de minha toca em busca de alimento, interessada apenas em meu próprio sustento, de início as crianças fugiam ao ver-me. Mas logo os meninos perceberam minha docilidade e começaram a jogar-me pedras. Quando descobriram que eu fugia em vez de atacá-los, passaram a divertir-se tentando apedrejar- me até à morte cada vez que eu saía em busca de alimento para aplacar minha fome.

Mestre, eu escapei muitas vezes, mas também me feri seriamente em várias ocasiões, e agora estou aqui estirada com estas terríveis feridas em minhas costas por tentar amar meus inimigos.” O santo acariciou suavemente a cobra, curando-a instantaneamente de seus ferimentos. Então, corrigiu-a com brandura, dizendo:

“Minha tola, eu lhe disse para não picar, mas por que você não sibilou?””

Paramahansa Yogananda, A Segunda Vinda de Cristo, http://goo.gl/F1WQoI

Facebooktwitter