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Ramatis Livros Espíritas Universalistas

Características de Ramatís

Por Dalton Campos Roque – www.consciencial.org

Bem, desejo passear no mérito dessa questão com elegância. Sem citar nome de ninguém, sem desprezar ou desclassificar ninguém. Cada um tem o seu trabalho, faz o que pode fazer. Cada um (como eu também) comete seus erros, escreve, fala, analisa, aceita e refuta, dentro do relativismo da vida física, da paradoxalidade, dentro do que acha correto e o incorreto.

A gente sempre analisa, gosta ou desgosta, aceita ou rejeita o trabalho alheio e julga em fração de segundo, o que o ancestral cérebro reptiliano nos deu como instinto, de luta ou fuga, a velocidade necessária, para julgar os eventos que nos cercam e nos “ameaçam”.

O maior erro é estar sempre com a “razão”, ser convicto demais e cair na intransigência de um ego vaidoso e orgulhoso, que sem exceção, todos nós temos para mais ou para menos.

Recebo algumas perguntas sobre Ramatís e até agora eu não havia pensado nisto. Tenho visto textos alegadamente de Ramatís por aí com conteúdo duvidoso. Não que apenas (e somente elas) as editoras de livros impressos tenham razão, afinal seus editores também possuem sua fé e sua convicção, e como eu e você. Também duvidam de uns e acreditam noutros. Apenas fé, crença empresarial, que costuma ser mais religiosa e dentro dos moldes multimilenares, característica predominante do inconsciente coletivo religioso do que universalista verdadeiramente.

No fim, não teremos nunca certeza de nada. Não veremos carimbo, assinatura, carteirinha ou crachá de santo, mestre ou psicógrafo oficial, e nesse mundo de “cachorros loucos” que competem para ver “quem faz mais”, “quem aparece mais”, “quem está com a razão”, “quem está com a verdade máxima e última”, “quem é o suprassumo” só nos restará um pouco de compreensão, paciência, carinho misturada com muita razão, análise, lógica e coerência.

Tudo me lembra um velho cidadão chamado Kardec. Sem querer fazer apologia Espírita, pois Kardec não seria Espírita se vivo, encarnado, atualizado e adequado. Ele usaria terno num dia e bermudas no outro, falaria gírias, não seria homofóbico e nem orientofóbico (nova classificação para quem tem medo, pavor e preconceito ao oriente e sua cultura e não conhece reencarnação, pois poderá, um dia reencarnar por lá, como Bin Laden reencarnará como americano). Ele teria um smartphone e preferiria frequentar universidades, centros de pesquisas, estudar parapsicologia, que ficar fazendo religião e ainda alegando ciência para defender nada mais que a sua doutrina bolorenta e a fé fanática, de seu grupinho preconceituoso e limitado.

Ele talvez estaria lado a lado com Dr. Sérgio Felipe – http://www.redeamigoespirita.com.br/forum/topics/medicina-reconhece-obsess-o-espiritual-dr-s-rgio-felipe-de ou Sônia Rinaldi – http://www.ipati.org/ fazendo pesquisa e mostrando serviço.

Após esta pequena introdução, e voltando ao assunto, Kardec que trabalhou na prática com uma amostragem de pesquisa in locu, juntou tudo, viu os pontos concordantes e separou, viu os pontos discordantes e jogou fora, e com uma estatística empírica e eficiente, usando intelectualidade, organização e método, fez o trabalho que fez sem pieguice religiosa e com eficiência “científica”, dentro do que podia fazer na época.

Então porque não usar o método de Kardec hoje, agora e aqui, para sabermos se tal conteúdo é de tal espírito? Como saber se os tais e alegados textos são de Ramatís? Vamos colocar todos os médiuns em cheque? Sim, vamos! Devemos fazer isto sempre, analisar, checar, usar a razão, o método, a organização sem achismo levianos e opiniões precoces e irresponsáveis.

Claro que há nuances e desdobramentos para tudo isto que daria um excelente trabalho de pesquisa. Várias facetas, várias abordagens e por aí vai. Mas neste texto curto e sintético vou me ater ao que posso e preciso de imediato.

Vocês é que irão decidir o quê é de quem, o quê é de Ramatís ou não. Eu vou dar as coordenadas iniciais, mas posso estar não percebendo todas, mas é um começo para vocês.

Temos que considerar a época, a cultura do médium, o caráter científico, a postura religiosa e todos os dados que pudermos, mas o mais importante serão os teores dos textos.

Pegue os livros e textos dos médiuns de Ramatís e leia todos. Desde os antigos, de Margaria Liguori, de Hercílio Maes até os atuais: Noberto Peixoto, Roger Botini, Wagner Borges, Dalton Campos Roque e outros que rolam por aí na internet que nem sei o nome. Na wikipedia citam-se todos: http://pt.wikipedia.org/wiki/Ramatis

Lembrem-se que os médiuns de Ramatís possuem certas características básicas: universalismo, despreconceito, simpatia e respeito por todas as linhas de pensamento e religiões, conhecem e praticam em algum nível projeção consciente, conhecem magia, conhecem e trabalham bem as energias, possuem espírito de síntese, tem visão de conjunto, exercem predominantemente bem as mediunidades intuitivas (quase todas elas) e não são mecânicos em nada, possuem características de quem veio da Colônia Espiritual Grande Coração (leiam o livro de Hercílio mães Mensagens do Grande Coração – http://edconhecimento.com.br/livros/mensagens-do-grande-coracao/), possuem tendência científicas sem perder a poesia, não tem linguajar complicado e empolado com simplicidade e objetividade acima de tudo, são simples e autênticos, tendem mais ao espiritualismo sem religião, etc.

Esta é minha visão inicial e imediata. As outras características perguntem aos outros alegados médiuns de Ramatís. Não sou dono de nada! Sou dono de minha opinião, que óbvio, sempre pode estar incompleta ou mesmo errada.

Então me perguntaram, “tal texto é de Ramatís”, eu respondo com este texto aqui. Então leia TODOS os livros de Ramatis de TODOS os alegados médiuns do mesmo. Monte um grupo de pesquisa, cada grupo escolhe um médium e fará planilhas com análises sobre os textos. Depois cada grupo comparará as conclusões entre si.

Mesmo que eu veja um texto que “sinto” que não de Ramatís, eu não devo opinar isto em público. Não devo ser deselegante e negar ou desclassificar o trabalho alheio. O que conta mais é o conteúdo. Eu pergunto, há conteúdo? Ou é só empolação, fala bonita, enchimento de linguiça? Só fala de “amor lindo”? Só aconselha “uni-vos irmãos”? Ou tem alguma substância? Dá um recado inteligente e profundo?

Vou resumir Ramatís em uma só palavra: CONTEÚDO! Mas isto ainda é relativo, pois tem gente que ama misticismo New Age e pensa que isto é conteúdo relevante. Conteúdo relevante é o que contribui para a reforma íntima, o autoconhecimento, a evolução espiritual suada sem fórmulas mágicas, receitinhas, firulas enfeitadas, etc.

Se não tiver conteúdo relevante não é de Ramatís – repito: opinião pessoal e não a verdade absoluta!

Outra coisa, é que Ramatís tem senso prático. Ele não se preocupa com firulas e detalhes inexpressivos, ele prioriza o que pode ajudar a humanidade aqui e agora, isto, sem perder a visão de futuro. Exemplo simples, não adianta eu falar, escrever e “viajar” no oitavo chacra, no décimo quinto chacra se nem faço práticas com os três chacras mais básicos! O óbvio salta aos olhos. Não importa se o quê, e quem é de Sírius, de Atlântida ou das Plêiades, importa o conteúdo. Não importam portais mágicos e místicos, importa o que estamos fazendo para nos melhorar como consciências do universo, nossas reformas íntimas e conteúdo interno de nossos corações. Ramatís é intelectualidade com coração, ciência com poesia, razão com experiência.

Não temos ou devemos “amar”, “louvar” ou adorar Ramatís. Vamos deixar isto para os demais religiosos e os que curtem “puxar saco” de mestre. A devoção é também um método evolutivo, mas para tempos de ciência temos que ser mais práticos e objetivos. Vamos estudar e aprender a pensar!

Eu fico imaginando como seria legal o Brasil todo trabalhando junto no conhecimento de Ramatís. Claro, os que gostam de Ramatís. O grupo do Rio de Janeiro focando uma coisa, o grupo de São Paulo focando outra, com outras cidades do Brasil, e o grupo de uma cidade pequena do interior também participando em condições de igualdade, pois hoje existe internet, com uma bancada coordenadora desses mesmos grupos, fazendo essa síntese e análise de estudos que sugeri.

Temos que abandonar a competição e ir para união e trabalharmos juntos, de mãos dadas, sem pieguice religiosa. Há grandes mentes nesse meio, gente muito inteligente e capaz. Devem colocar as mangas de fora e fazer o trabalho.

Alguém deveria criar um portal coletivo sobre os estudos do conhecimento de Ramatís, sem esta coisa de adoração e “puxação de saco” de mestre que há por aí. Afinal, seria uma coisa para estudo!

Mas vocês não podem contar diretamente com os médiuns para não haver influência ou qualquer forma de indução. A presença de um ou outro pode causar induções bioenergéticas nas conclusões e direções dos estudos. Os grupos iriam receber o amparo espiritual devido, tenho certeza.

Um portal coletivo na internet de debate permanente, mas com grupos estudos locais, presenciais, na mesa, com livros abertos e canetas a mão. Pesquisando livros, revistas, filmes, material de internet, fazendo uma coletânea com análises comparativas, levantando os pontos de convergência e divergência entre esses médiuns.

Então é preciso anular as simpatias que o leitor tem com médium A ou B para fazer uma análise mais isenta. A ciência não tem fé, ela é cética. Um estudo coerente não tem achismo ou simpatia, vai levantar dados, impressões e fazer conclusões frias e calculistas. Até mesmo as literaturas fanáticas contra Ramatís devem ser levadas em consideração. Afinal, os obsessores sempre levantam nossos pontos fracos com alta competência num julgamento frio.

Deixo aqui registrado essa ideia para vocês a efetuarem devagar, mas com firmeza e rigor. Espero que surja um líder bom e inteligente para efetuar tal empreitada, mas esforços coordenados pela internet não precisam de líder, apenas de ação e intenção sem preguiça e sem medo.

Paz, Amor e Luz com todo respeito e carinho,

Dalton Campos Roque – www.consciencial.org