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Existe uma frase que resume boa parte da visão que desenvolvo em O Karma e Suas Leis: existe karma, mas não existe fatalismo; existe futuro, mas não existe um destino pronto. O Karma e Suas Leis 2025- 7ª Ed… Essa distinção é fundamental porque muita gente confunde karma com uma espécie de roteiro fechado, como se antes de nascer já estivesse decidido quem encontraremos, o que sofreremos, quando ficaremos doentes, quais escolhas faremos e até o momento exato de nossa morte. Se fosse assim, o livre-arbítrio seria uma brincadeira sem qualquer função real.
Não somos marionetes de Deus, dos espíritos ou do karma. Chegamos a esta existência trazendo condições anteriores, compromissos, tendências, facilidades, limitações, grupokarmas e diversas probabilidades decorrentes de nossa trajetória multiexistencial. Esse conjunto delimita parte do campo onde iremos jogar, mas não determina cada jogada. O passado influencia fortemente o presente, porém o presente continua produzindo o futuro.
KARMA NÃO É UM ROTEIRO PRONTO
Imagine que uma pessoa esteja viajando numa estrada. Ela não escolheu necessariamente o ponto onde entrou naquela rodovia, algumas pontes já estão construídas, determinados trechos possuem buracos, existem limites de velocidade e talvez até desvios obrigatórios. Mesmo assim, dentro dessas condições, ela continua tomando decisões. Pode parar, acelerar, escolher determinada saída, mudar de direção quando possível ou dirigir de maneira irresponsável e produzir novos problemas.
O karma funciona, em certa medida, como o conjunto das condições acumuladas que encontramos pelo caminho. O livre-arbítrio atua dentro dessas condições, modificando continuamente as possibilidades seguintes. Em O Karma e Suas Leis, afirmo que o futuro não está pronto: ele é escrito diariamente através de nossas ações. O Karma e Suas Leis 2025- 7ª Ed…
Por isso não gosto da palavra “destino” quando ela significa fatalidade imutável. Prefiro falar em tendências, probabilidades e consequências. Existem situações com enorme possibilidade de acontecer porque acumulamos causas muito fortes naquela direção, mas ainda assim precisamos distinguir tendência de destino absoluto.
O PASSADO ESTREITA OU AMPLIA NOSSAS ESCOLHAS
Nem todos possuem o mesmo grau de liberdade. Isso também precisa ser dito. O livre-arbítrio é relativo.
Uma pessoa profundamente endividada possui menos opções financeiras que outra sem dívidas. Quem destruiu sua saúde durante décadas encontra limitações que antes não existiam. Quem rompeu relações importantes por agressividade não possui mais exatamente o mesmo campo de escolhas afetivas que possuía antes. As próprias decisões anteriores diminuíram determinadas possibilidades.
No paradigma consciencial ocorre algo semelhante. Quanto maior o karma negativo acumulado, mais condições precisam ser enfrentadas, compensadas ou reorganizadas, restringindo temporariamente parte de nossa liberdade. É por isso que em O Karma e Suas Leis apresento karma negativo e livre-arbítrio como grandezas relacionadas: quanto mais pesadas as consequências anteriores, menor tende a ser o campo disponível de escolhas. O Karma e Suas Leis 2025- 7ª Ed…
O inverso também faz sentido. Quem desenvolve virtudes, responsabilidade, competência, equilíbrio e karma positivo amplia gradualmente sua capacidade de ação. Evoluir é também conquistar liberdade.
ENTÃO ALGUMAS COISAS ESTÃO PROGRAMADAS?
Sim, existem programações existenciais, encontros grupokármicos e compromissos planejados antes da reencarnação. Isso não transforma a vida num teatro em que todos os diálogos já foram escritos. Um planejamento estabelece prioridades, oportunidades e objetivos; a execução continua sujeita à nossa capacidade, às nossas escolhas e também às escolhas de outras consciências.
Você pode programar uma viagem com meses de antecedência, reservar hotel, comprar passagem e organizar compromissos. Ainda assim, incontáveis acontecimentos poderão modificar a viagem. A programação existe, mas não elimina as variáveis.
O dharma funciona de maneira semelhante. Podemos reencarnar com determinados projetos prioritários e, ainda assim, realizá-los muito bem, parcialmente ou quase nada. Se tudo estivesse garantido, não haveria mérito, aprendizado nem necessidade de esforço.
Planejamento não é fatalismo.
POR QUE ALGUMAS PREVISÕES DO FUTURO ACERTAM?
Porque certas tendências são suficientemente fortes para serem percebidas. Quem observa uma pessoa de longe, conhecendo suas características, seus hábitos e o rumo de suas escolhas, pode prever algumas consequências com razoável segurança. Um médico prevê riscos a partir de hábitos e exames; um economista trabalha com tendências; qualquer pessoa experiente consegue antecipar certos comportamentos de alguém que conhece profundamente.
Dentro da visão espiritualista, uma consciência extrafísica mais lúcida possui acesso a um conjunto de variáveis muito maior do que nós. Pode perceber tendências kármicas, compromissos assumidos, estados bioenergéticos, relações grupais e inúmeras informações que não enxergamos daqui. Ainda assim, prever uma tendência não significa descobrir um futuro já existente.
Em O Karma e Suas Leis, comparo esse processo à observação de uma trajetória. Quando conhecemos direção e velocidade, podemos estimar onde algo tende a chegar. Entretanto, se o agente modifica sua direção, muda também o resultado. O Karma e Suas Leis 2025- 7ª Ed…
É por isso que previsões podem falhar.
A consciência escolheu outra coisa.
O FUTURO É UM CAMPO DE POSSIBILIDADES
Prefiro pensar no futuro como um conjunto móvel de possibilidades. Há caminhos muito prováveis, outros pouco prováveis e alguns praticamente impossíveis dentro das condições atuais. Cada decisão modifica um pouco esse mapa.
Uma pessoa que há vinte anos vive alimentando determinado comportamento criou uma tendência muito mais forte do que alguém que começou aquilo ontem. Entretanto, mesmo padrões profundos podem ser modificados quando existe transformação real da consciência.
Em O Karma e Suas Leis, utilizo também modelos de probabilidades para explicar didaticamente essa dinâmica: nossas ações passadas criam um campo de possibilidades, enquanto novas escolhas interferem continuamente nesse campo. O Karma e Suas Leis 2025- 7ª Ed… Não estou dizendo que a física quântica tenha comprovado cientificamente a lei do karma; utilizo esses modelos como analogias conscienciais para facilitar a compreensão de um futuro probabilístico, e não rigidamente predeterminado.
“ESTAVA ESCRITO” É UMA EXPRESSÃO PERIGOSA
Quando alguma coisa marcante acontece, é comum alguém dizer que “tinha que acontecer”. Às vezes pode realmente ter existido uma forte programação ou uma convergência kármica difícil de evitar. Mas transformar tudo em “estava escrito” elimina a responsabilidade humana e cria uma espécie de preguiça evolutiva.
Se tudo estivesse escrito, crimes também estariam escritos, decisões equivocadas estariam escritas e qualquer irresponsabilidade poderia ser justificada como parte do destino. Isso seria incoerente com toda a lógica de responsabilidade kármica.
A própria existência do karma pressupõe escolha. Sem escolha, não existe responsabilidade verdadeira. Se fui obrigado pelo destino a praticar determinado ato, como poderia responder consciencialmente por ele?
Em O Karma e Suas Leis, afirmo que é justamente a partir do livre-arbítrio que construímos aquilo que popularmente chamamos de destino. O Karma e Suas Leis 2025- 7ª Ed…
KARMA E LIVRE-ARBÍTRIO NÃO SÃO INIMIGOS
Muita gente pergunta qual dos dois prevalece: o karma ou o livre-arbítrio. A resposta é que ambos coexistem. Nosso karma estabelece parte das condições; nosso livre-arbítrio atua dentro delas e cria novas condições.
É um processo contínuo.
O que escolhemos ontem limitou ou ampliou aquilo que podemos escolher hoje. O que escolhemos hoje fará o mesmo com o amanhã. Em minhas obras, considero os dois mecanismos complementares e inversamente relacionados em muitos contextos: quanto maior determinada carga de karma negativo, menor a liberdade relativa naquela área; quanto mais a consciência resolve, compensa e evolui, mais possibilidades conquista. O Karma e Suas Leis 2025- 7ª Ed…
Isso coloca a responsabilidade de volta onde deve estar.
Em nós.
VOCÊ NÃO É PRISIONEIRO DO SEU PASSADO
O passado existe e suas consequências também. Não adianta fingir que tudo pode ser apagado com pensamento positivo, decretos mentais ou desejo. Existem causas reais produzindo efeitos reais. Contudo, reconhecer isso não significa aceitar que estamos condenados a repeti-las para sempre.
Podemos mudar hábitos, reparar prejuízos, perdoar, pedir perdão, estudar, desenvolver novas competências, abandonar comportamentos destrutivos, trabalhar assistencialmente e criar novos vínculos. Cada atitude nova interfere no conjunto de probabilidades seguintes.
É por isso que a ideia de karma, quando corretamente compreendida, não deveria produzir medo. Ela deveria produzir responsabilidade e esperança lúcida.
Não existe um livro fechado chamado “seu destino” esperando que você apenas cumpra as páginas.
Existe uma história sendo escrita.
Parte dos capítulos anteriores você já escreveu e não pode apagar. Mas ainda está com a caneta na mão.
Dalton Campos Roque
ramatis.org
consciencial.org
