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Quando falamos em espiritualismo universalista, muita gente imagina uma mistura de religiões, uma espécie de grande saco onde colocamos Espiritismo, Umbanda, Budismo, Hinduísmo, Teosofia, esoterismo, projeção astral, mediunidade e tudo mais que encontramos pela frente. Não é essa a ideia. Universalismo exige muito mais discernimento do que simplesmente aceitar tudo. Ele procura compreender diferentes conhecimentos, aproveitar aquilo que possui valor evolutivo e manter liberdade para discordar quando necessário, sem transformar divergência intelectual em guerra religiosa.
É justamente por isso que considero Ramatís profundamente universalista. Sua obra não procura aprisionar a consciência em uma escola determinada. Ele transita por assuntos diferentes porque a própria consciência humana é complexa. Nós reencarnamos, pensamos, sentimos, produzimos karma, desenvolvemos dharmas, trabalhamos com bioenergias, interagimos com outras consciências encarnadas e desencarnadas e continuamos nossa trajetória depois da morte física. Não faria sentido estudar uma realidade tão ampla olhando apenas por uma janela doutrinária.
UNIVERSALISMO É UMA POSTURA CONSCIENCIAL
O universalismo que encontro nos ensinamentos de Ramatís não depende de uma carteirinha espiritual. Uma pessoa pode frequentar um centro espírita e ser universalista; outra pode ser umbandista, budista, hinduísta, católica ou não pertencer a religião alguma e possuir a mesma abertura. Também ocorre o contrário: alguém pode declarar-se universalista enquanto continua profundamente sectário, apenas aumentando a quantidade de crenças que carrega.
Na obra Reflexões sobre Ramatís e sua Egrégora, desenvolvo o universalismo como despreconceito, fraternidade, cooperação, união, ética, cosmoética e respeito pelo dharma alheio. A ideia é simples de entender, embora muito mais difícil de viver: ninguém precisa diminuir o trabalho do outro para justificar o próprio. A espiritualidade madura coopera quando pode, respeita quando diverge e segue seu caminho quando a afinidade não existe. Reflexões sobre Ramatís
Essa postura também elimina aquela necessidade infantil de descobrir qual religião está certa e quais estão erradas. Cada escola humana possui história, cultura, linguagem, limitações e contribuições. Algumas desenvolveram melhor determinados aspectos da espiritualidade, enquanto outras se especializaram em campos diferentes. Um pesquisador consciencial inteligente observa, compara, experimenta quando possível e continua aprendendo.
RAMATÍS NÃO CABE NUMA CAIXA DOUTRINÁRIA
Quem lê diferentes obras ligadas a Ramatís percebe rapidamente que seus assuntos atravessam fronteiras. Há reflexões cristãs, conceitos orientais, mediunidade, karma, reencarnação, bioenergias, vida extrafísica, saúde, comportamento, ciência, ética, cosmoética e questões sociais. Esse conjunto não precisa ser transformado numa nova religião. Seria até curioso combater os muros doutrinários criando mais um muro com o nome de Ramatís escrito na entrada.
O próprio fenômeno mediúnico associado à sua egrégora mostra essa diversidade. Os médiuns não são cópias uns dos outros. Possuem cultura, vocabulário, experiências, temperamentos, conhecimentos e talentos diferentes. Em minhas reflexões sobre essa egrégora, ressalto justamente que os estilos particulares fazem parte do processo. Um médium pode ser mais poético, outro mais técnico, outro mais informal, outro pode trabalhar melhor com conceitos, relatos, física, bioenergias ou filosofia. Uma inteligência espiritual experiente aproveita essas diferenças em vez de tentar transformar pessoas em máquinas de escrever padronizadas. Reflexões sobre Ramatís
Quando seguidores começam a determinar qual médium pode receber Ramatís, qual linguagem ele obrigatoriamente deve utilizar ou quais assuntos teria autorização para abordar, surge exatamente aquilo que o universalismo deveria evitar: o clubismo. A própria obra relata como alguns seguidores passam a aceitar determinados médiuns e rejeitar outros, produzindo divisões que contradizem a proposta universalista que afirmam defender. Reflexões sobre Ramatís
UNIVERSALISMO NÃO SIGNIFICA INGENUIDADE
Ter mente aberta não significa deixar a porta escancarada para qualquer coisa. O universalista precisa de senso crítico, discernimento, experiência e autocrítica. Existem mensagens mediúnicas ruins, interpretações equivocadas, médiuns despreparados, terapeutas irresponsáveis, exageros místicos, erros doutrinários e fantasias pessoais. A abertura mental sem discernimento pode se transformar em ingenuidade espiritual, e isso também não ajuda ninguém.
Por outro lado, o excesso de rigidez produz outro problema. A pessoa aprende determinada doutrina, transforma aquele modelo em medida universal e começa a avaliar todo o restante com a régua que já possui. Se algo não encaixa, ela rejeita antes de estudar. Nesse ponto, o conhecimento deixou de ampliar a consciência e passou a servir como defesa psicológica do ego.
Em Reflexões sobre Ramatís e sua Egrégora, observo que não existe universalismo verdadeiro dentro do fanatismo e dos clubismos conscienciais. O fenômeno aparece tanto entre os que defendem Ramatís de forma emocional quanto entre os que o atacam da mesma maneira. Estudar exige um pouco mais de serenidade. Dados precisam virar informação, informação precisa ser trabalhada pelo discernimento e, somente depois, podemos chegar a conclusões mais maduras. Reflexões sobre Ramatís
O UNIVERSALISMO COMEÇA NO COMPORTAMENTO
Há um detalhe que considero ainda mais importante: universalismo intelectual é relativamente fácil. Podemos ler livros orientais, frequentar centros diferentes, aprender mantras, conhecer médiuns, estudar várias filosofias e acumular uma impressionante coleção de informações. Tudo isso pode ser útil, mas não garante maturidade consciencial.
O teste aparece na convivência. Como você reage diante de alguém que pensa diferente? Consegue reconhecer mérito em uma pessoa de outra religião? É capaz de cooperar com um trabalho que não pertence ao seu grupo? Consegue discordar sem atacar? Reconhece quando outra pessoa sabe mais do que você em determinado campo? Possui humildade para mudar de opinião diante de informações melhores? Essas pequenas coisas dizem muito mais sobre universalismo do que uma estante cheia de livros espiritualistas.
A própria proposta apresentada em minhas obras associa universalismo à fraternidade prática, cooperação e respeito ao trabalho evolutivo dos outros. Não há sentido em falar de grandes mestres, civilizações espirituais e fraternidades extrafísicas enquanto continuamos criando castas, disputas e superioridades imaginárias aqui na Terra. Reflexões sobre Ramatís
UMA ESPIRITUALIDADE QUE CONTINUA CRESCENDO
Talvez uma das características mais bonitas do universalismo seja permitir que a pessoa continue aprendendo. Quem acredita já possuir a verdade completa fecha a porta para o conhecimento seguinte. A consciência, porém, atravessa inúmeras existências, acumula experiências e continua ampliando lentamente sua capacidade de compreender a vida. Nenhuma encarnação isolada encerra esse processo.
Por isso não considero Ramatís um ponto final. Ele é uma referência importante dentro de uma caminhada muito maior. Seus ensinamentos podem abrir janelas, provocar reflexões, ampliar paradigmas e auxiliar nossa evolução, mas cada consciência continuará responsável pelas próprias escolhas, experiências, erros e acertos.
O verdadeiro espiritualismo universalista não precisa transformar Ramatís em religião, ídolo ou propriedade de grupo algum. Quanto mais compreendemos sua proposta, menos necessidade sentimos de construir cercas ao redor dela. A espiritualidade amadurece quando nossa visão do mundo fica maior e, junto com ela, cresce também nossa capacidade de respeitar, compreender, discernir e servir.
Dalton Campos Roque
ramatis.org
consciencial.org
