RAMATÍS TAMBÉM EVOLUI? NENHUM MESTRE FICA PARADO

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Existe uma tendência humana de congelar os mestres no tempo. Encontramos determinado ensinamento, determinado estilo de comunicação, determinada fase de uma obra e passamos a imaginar que aquilo deverá permanecer idêntico para sempre. Quando alguma coisa muda, surgem as desconfianças. “Ramatís não falava assim”, “Ramatís não abordava este assunto”, “esse não é o estilo dele”. O problema é que esse raciocínio esquece justamente um dos fundamentos mais básicos da espiritualidade: a evolução da consciência continua.

Ramatís não está fora das leis evolutivas. Ele é uma consciência muito mais experiente do que nós em inúmeros aspectos, mas isso não significa perfeição absoluta, onisciência ou imobilidade. Em Reflexões sobre Ramatís e sua Egrégora, afirmo claramente que Ramatís não precisa permanecer engessado num único estilo pela eternidade. A ideia de um mestre imutável é uma exigência dos seguidores, não da evolução. Reflexões sobre Ramatís

ESPÍRITOS EVOLUÍDOS NÃO SABEM TUDO

Esse ponto é importante porque muita gente transfere aos espíritos uma espécie de onisciência que eles não possuem. Desencarnar não transforma ninguém automaticamente em sábio. Da mesma forma, uma consciência muito evoluída continua aprendendo, ampliando perspectivas e desenvolvendo experiências.

Em uma das respostas atribuídas a Ramatís em Reflexões sobre Ramatís e sua Egrégora, ele afirma justamente que nem espíritos semievoluídos, nem evoluídos, nem consciências muito acima sabem tudo. Todos continuam em processo de aprendizado e também convivem com o “não saber”. Reflexões sobre Ramatís

Isso deveria aliviar bastante nossa relação com os mentores. Eles não precisam ser transformados em enciclopédias cósmicas ambulantes. Podem saber muito mais que nós em determinados campos e, ainda assim, continuar aprendendo em outros. A diferença está no grau de consciência, na experiência e na capacidade de compreender contextos que nós ainda percebemos apenas parcialmente.

Quando projetamos perfeição absoluta sobre um mentor, também criamos uma armadilha para nós mesmos. Qualquer mudança futura passa a parecer contradição, quando pode ser apenas expansão.

EVOLUIR SIGNIFICA TAMBÉM AMPLIAR A FORMA DE ENSINAR

Se a consciência evolui, sua forma de ensinar também pode evoluir. Novos contextos surgem, novos médiuns aparecem, novos públicos precisam ser alcançados e novas linguagens se tornam necessárias.

Um professor que ensinava há cinquenta anos provavelmente utilizaria recursos diferentes hoje. O conteúdo essencial poderia permanecer, mas a didática mudaria. Seria estranho exigir que continuasse utilizando exatamente as mesmas ferramentas apenas para preservar uma tradição.

Com Ramatís não deveria ser diferente.

Na minha visão, um mentor com grande capacidade intelectual e consciencial adapta sua comunicação conforme a época, o médium e o público. Pode utilizar linguagem mais poética em determinado contexto, abordagem mais técnica em outro, comparações modernas, conceitos científicos, esquemas, metáforas, perguntas e respostas ou textos mais diretos. Isso não destrói sua identidade; apenas mostra flexibilidade.

Em minhas obras, considero justamente que não existe motivo para limitar Ramatís a um único modelo de expressão. Reflexões sobre Ramatís

O ERRO DE TRANSFORMAR ESTILO EM IDENTIDADE

Quando alguém afirma que Ramatís só pode escrever de uma determinada maneira, está confundindo estilo mediúnico com identidade espiritual. Isso é um erro bastante comum.

O estilo de uma psicografia é resultado de uma interação. Há o espírito, há o médium, há a bagagem cultural, o vocabulário, o nível de inspiração, o contexto histórico e o próprio objetivo da mensagem. Se mudar o médium, muda parte da expressão. Se mudar o público, muda a didática. Se mudar a época, muda a linguagem.

A essência pode permanecer sem que a forma permaneça igual.

Se um mentor só pudesse se comunicar de uma única maneira, isso significaria limitação, não grandeza.

A OBRA TAMBÉM PODE SE ATUALIZAR

Outro ponto que considero importante é a própria atualização das obras. Alguns leitores estranham quando um livro mediúnico é revisado, ampliado ou corrigido, como se aquilo significasse que a primeira versão deveria ser perfeita e definitiva.

Mas por quê?

Se o médium amadurece, amplia conhecimentos, compreende melhor determinadas ideias e percebe pontos mal formulados, corrigir é uma virtude. Em Reflexões sobre Ramatís e sua Egrégora, explico que obras mediúnicas ou inspiradas podem ser atualizadas justamente porque o médium também evolui, amplia lucidez e pode captar melhor determinados conteúdos ao longo do tempo. Reflexões sobre Ramatís

Eu mesmo já revisei e ampliei obras. Não vejo nisso problema algum. O problema seria perceber um erro e mantê-lo apenas para preservar uma falsa imagem de infalibilidade.

Espiritualidade saudável não combina com medo de corrigir.

RAZÃO E CONSCIÊNCIA TAMBÉM EVOLUEM

A evolução não ocorre apenas no aspecto moral. Ela também envolve ampliação intelectual, bioenergética, parapsíquica e consciencial. Uma consciência aprende novas formas de compreender a realidade, desenvolve novas competências e amplia sua capacidade de integração.

Na visão que apresento em minhas obras, a própria evolução consciencial é inexorável. Todos avançam, ainda que em velocidades muito diferentes. O processo pode ocorrer por experiências suaves ou por experiências dolorosas, mas ninguém permanece eternamente estagnado. Reflexões sobre Ramatís

Isso inclui nós, inclui os médiuns e inclui os próprios mentores.

A diferença é apenas de escala.

UM MESTRE NÃO É UMA ESTÁTUA

Talvez a melhor metáfora seja esta: mestre não é estátua.

Estátuas permanecem iguais. Consciências não.

Uma consciência viva aprende, observa, adapta, amadurece, amplia e continua caminhando. Quanto mais elevada, maior tende a ser sua capacidade de flexibilidade e adaptação. Engessar Ramatís numa forma fixa seria negar justamente aquilo que suas próprias ideias ensinam sobre evolução.

Em determinado momento histórico, algumas mensagens podem ter sido perfeitamente adequadas àquele público. Décadas depois, outros conceitos podem ser necessários. Novos médiuns podem trazer outras linguagens e outros aprofundamentos. Se a egrégora está viva, a produção também tende a continuar se renovando.

Em Reflexões sobre Ramatís e sua Egrégora, observo que a mitificação exagerada do mestre pode até atrapalhar o surgimento de novos médiuns, porque algumas pessoas passam a rejeitar qualquer forma diferente de comunicação. Isso acaba engessando não Ramatís, mas a própria compreensão humana sobre sua egrégora. Reflexões sobre Ramatís

RESPEITAR UM MESTRE NÃO É PRENDÊ-LO AO PASSADO

Respeitar Ramatís não significa obrigá-lo a continuar exatamente como alguém o conheceu décadas atrás. Significa permitir que ele seja compreendido dentro de um processo evolutivo maior, assim como todos nós.

A essência de sua proposta pode permanecer firme: universalismo, fraternidade, karma, dharma, evolução, responsabilidade, cosmoética, amor e ampliação da consciência. As formas de apresentar esses conteúdos, porém, podem e devem acompanhar os tempos.

Quem realmente acredita na evolução da consciência não deveria ter medo da mudança.

Ramatís não precisa permanecer parado para continuar sendo Ramatís.

E talvez essa seja uma das maiores lições do próprio universalismo: preservar os princípios sem transformar as formas em prisões.

Dalton Campos Roque
ramatis.org
consciencial.org

 

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