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Uma das maiores contradições do meio espiritualista é transformar mestres que ensinaram liberdade interior em objetos de culto. Isso já aconteceu muitas vezes na história e continua acontecendo. O ser humano parece possuir uma estranha necessidade de criar autoridades externas, colocá-las num pedestal e depois organizar grupos em torno delas. O problema não está em admirar, respeitar ou aprender com alguém mais experiente. O problema começa quando a admiração substitui o discernimento e o estudante deixa de pensar por conta própria.
No caso de Ramatís, considero isso especialmente contraditório. Sua proposta é universalista, antidogmática, aberta ao estudo, à comparação, ao questionamento e à evolução contínua da consciência. Em Reflexões sobre Ramatís e sua Egrégora, desenvolvo justamente a ideia de que ninguém é dono de Ramatís, de sua egrégora ou de seus conhecimentos. O universalismo implica fraternidade, cooperação, ética, cosmoética e respeito ao dharma dos outros, sem aquela necessidade infantil de ostentar superioridade espiritual ou mediúnica. Reflexões sobre Ramatís
SEGUIR NÃO É O MESMO QUE APRENDER
Podemos acompanhar os ensinamentos de alguém sem nos transformarmos em seguidores no sentido passivo da palavra. Um bom professor deseja que o aluno aprenda a caminhar sozinho. Um mau professor precisa manter seus alunos dependentes para continuar importante. Com mentores espirituais elevados, a lógica é ainda mais clara: eles procuram ampliar nossa autonomia, nossa lucidez e nossa responsabilidade, não criar dependência emocional ou intelectual.
Em Mensagens de Ramatís e Amigos Espirituais, a orientação é bastante direta: Ramatís e os amigos espirituais não pedem culto, veneração ou defesa fanática de seus nomes. Pedem trabalho, lucidez, amor, estudo, serviço, simplicidade e coragem moral. A melhor homenagem a um mentor espiritual está em viver melhor, pensar melhor, sentir melhor e agir melhor. Livro Mensagens de Ramatis 2026…
Isso muda completamente a relação entre estudante e mestre. Em vez de perguntar “como posso defender Ramatís?”, seria melhor perguntar “o que estou fazendo com aquilo que aprendi?”. Em vez de discutir durante horas se determinada mensagem é autêntica porque possui este ou aquele estilo, talvez fosse mais útil observar se o conteúdo melhora alguma coisa em nossa consciência e em nosso comportamento. A espiritualidade que não chega à vida prática pode até alimentar o intelecto, mas pouco transforma.
O PERIGO DO “RAMATISTA”
Eu utilizo às vezes a expressão “ramatista”, mas com bastante cuidado, porque o rótulo pode produzir justamente aquilo que Ramatís procura dissolver. Quando alguém se identifica excessivamente com uma escola, autor ou mentor, tende a criar fronteiras psicológicas. Começa a existir “nós” e “eles”, os verdadeiros e os falsos, os mais legítimos e os menos legítimos, os que compreenderam e os que “não estão preparados”.
Esse mecanismo é antigo e não pertence exclusivamente ao meio espiritualista. Religiões, partidos políticos, escolas filosóficas, torcidas e grupos de todos os tipos podem cair nele. O ego gosta de pertencer porque o pertencimento fornece identidade e segurança. A dificuldade aparece quando essa identidade passa a precisar de adversários.
Na obra Reflexões sobre Ramatís e sua Egrégora, descrevo os trabalhadores sinceros ligados a essa egrégora como pessoas que não deveriam se considerar superiores a ninguém. São tarefeiros cheios de karmas, dificuldades e necessidades de aprendizado, tentando realizar seus dharmas da melhor maneira possível. Não precisam adorar Ramatís; podem considerá-lo simplesmente um irmão mais velho, mais experiente, trabalhando junto conosco na longa estrada evolutiva. Reflexões sobre Ramatís
Essa visão me parece muito mais saudável. Retira o mestre do altar e o coloca na função correta: orientador, professor, referência e companheiro evolutivo.
LIBERDADE TAMBÉM SIGNIFICA PODER DISCORDAR
Existe outro ponto importante. Consciência livre não é aquela que concorda com tudo. Concordância automática não é sinal de evolução; às vezes é apenas medo de pensar. Quem estuda seriamente precisa desenvolver capacidade de comparação, reflexão e até discordância respeitosa. Em minhas próprias leituras, nunca considerei necessário concordar integralmente com todos os autores, médiuns ou pesquisadores que respeito. Podemos reconhecer grande valor numa obra e ainda assim manter reservas sobre determinados pontos.
Em Reflexões sobre Ramatís e sua Egrégora, defendo explicitamente que a concordância cega deve ser rejeitada e que o espaço para refutação e livre pensamento é saudável. A maturidade consciencial inclui a capacidade de formar opiniões próprias, rever posições e respeitar perspectivas diferentes sem transformar divergência em ataque pessoal. Reflexões sobre Ramatís
É exatamente esse tipo de postura que diferencia um estudante de um devoto fanatizado. O estudante pergunta, compara, pondera e continua aprendendo. O fanático precisa defender. O estudante admite dúvidas. O fanático precisa de certezas absolutas. O estudante consegue apreciar vários autores. O fanático precisa provar que o seu é melhor.
Ramatís não precisa desse tipo de defesa.
MESTRES NÃO PRECISAM DE ADVOGADOS
Ao longo dos anos encontrei pessoas defendendo Ramatís de ataques e outras atacando Ramatís com igual intensidade emocional. Os dois extremos podem acabar presos ao mesmo mecanismo psicológico. Um quer provar que tudo é verdadeiro; o outro quer provar que tudo é falso. Ambos, quando deixam o discernimento de lado, passam a responder mais ao próprio condicionamento do que ao conteúdo estudado.
Tenho uma posição simples sobre isso: Ramatís não precisa de advogado. Suas obras falam por si. Quando encontrei críticas que considerei injustas, preferi muitas vezes esclarecer conceitos sem transformar a discussão numa guerra pessoal. O fanatismo pode surgir tanto entre admiradores quanto entre detratores e, em ambos os casos, prejudica o estudo sério. Reflexões sobre Ramatís
Quem possui alguma segurança íntima não precisa converter todos ao seu ponto de vista. Pode apresentar argumentos, explicar sua experiência e deixar cada consciência exercer o próprio livre-arbítrio. Isso vale para Ramatís, para qualquer mentor e também para minhas próprias obras. Eu quero leitores conscientes, não pessoas concordando comigo por hábito.
A ESPIRITUALIDADE DEVE PRODUZIR AUTONOMIA
Um bom ensinamento espiritual deveria nos tornar gradualmente menos dependentes de autoridades externas. Isso não significa desprezar professores ou abandonar livros, grupos e mentores. Significa utilizá-los como recursos evolutivos sem entregar a eles a responsabilidade que continua sendo nossa.
Autoconhecimento, reforma íntima, karma, dharma, cosmoética, fraternidade e discernimento são processos pessoais. Ninguém pode realizá-los em nosso lugar. Podemos receber orientação, assistência, inspiração e até fortes empurrões evolutivos, mas a transformação precisa acontecer dentro da própria consciência.
É por isso que considero inadequado imaginar Ramatís interessado em colecionar seguidores. O que ele procura, dentro da visão que tenho construído ao longo de minhas experiências e obras, são trabalhadores conscientes, estudantes lúcidos e pessoas capazes de pensar por si mesmas. Quanto mais amadurece a consciência, menos necessidade ela sente de idolatrar e maior se torna sua capacidade de aprender sem se submeter intelectualmente.
Mestres verdadeiros não aprisionam consciências. Eles ajudam a libertá-las.
E uma consciência realmente livre consegue amar, respeitar, aprender, discordar, refletir e continuar caminhando.
Dalton Campos Roque
ramatis.org
consciencial.org
