POR QUE RAMATÍS SE COMUNICA POR MÉDIUNS DIFERENTES?

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Uma das perguntas que mais aparecem quando se fala em Ramatís é esta: se o espírito comunicante é o mesmo, por que os médiuns escrevem de formas tão diferentes? A pergunta parece lógica, mas parte de uma ideia simplificada demais sobre mediunidade, como se o médium fosse uma impressora neutra e o espírito simplesmente “digitasse” de outro plano. Não funciona assim. O fenômeno mediúnico é uma parceria complexa entre consciências diferentes, com histórias, temperamentos, culturas, capacidades intelectuais, bioenergéticas, emocionais, parapsíquicas e profissionais também diferentes. Por isso, esperar que vários médiuns de Ramatís produzam textos idênticos seria quase esperar que pessoas diferentes tivessem a mesma mente.

Em Reflexões sobre Ramatís e sua Egrégora, desenvolvo exatamente esse ponto: os médiuns possuem competências muito diferentes entre si e não são santos, nem máquinas, nem seres privilegiados. Cada um possui karmas próprios, limitações, talentos e dharmas específicos. A própria mensagem atribuída a Ramatís explica que nenhum médium é privilegiado e que os trabalhos são complementares, como peças distintas de um quebra-cabeças maior. Reflexões sobre Ramatís

O MÉDIUM PARTICIPA DA MENSAGEM

A mediunidade intuitiva, que é a forma com que trabalho, não apaga o médium. Ao contrário, utiliza seus recursos. O espírito comunicante precisa encontrar dentro da mente, das experiências, do vocabulário e das capacidades do encarnado os instrumentos disponíveis para transmitir determinado conteúdo. Se o médium é técnico, poderá expressar certas ideias com mais facilidade por esquemas, comparações, raciocínios e modelos. Se possui maior sensibilidade poética, poderá captar e transmitir a mesma inspiração por imagens, metáforas e linguagem emocional. Se tem uma formação mais filosófica, provavelmente organizará o conteúdo de outra forma.

Isso não diminui a mediunidade. Apenas explica seu mecanismo.

Há quem imagine que quanto menos o médium aparece, melhor seria a mensagem. Essa ideia criou muitos equívocos. O animismo saudável não é inimigo da mediunidade; pode ser parte importante dela. Em uma das mensagens de Reflexões sobre Ramatís e sua Egrégora, Ramatís afirma que não existe problema no bom animismo, pois o médium treinado deve usar aquilo que aprendeu e desenvolveu. O resultado pode ser melhor justamente quando uma boa bagagem anímica se soma a uma boa inspiração mediúnica. Reflexões sobre Ramatís

O problema, portanto, não é haver participação do médium. O problema é a qualidade dessa participação.

RAMATÍS NÃO PRECISA DE CLONES

Um dos erros mais curiosos é imaginar que todos os médiuns de Ramatís deveriam escrever como o primeiro médium conhecido por determinado grupo. Isso transformaria a mediunidade numa espécie de concurso de imitação. Se alguém escreve diferente, logo aparece quem diga: “não pode ser Ramatís”. Aí o critério deixa de ser o conteúdo e passa a ser a semelhança literária.

Mas por que seriam clones?

Os médiuns nascem em épocas diferentes, famílias diferentes, estudam coisas diferentes, possuem profissões diferentes, vocabulários diferentes, experiências mediúnicas diferentes e histórias multiexistenciais diferentes. Esperar a mesma linguagem seria negar toda essa diversidade. Em minha obra, questiono justamente essa expectativa de que todos deveriam possuir a mesma mente, cultura, linguagem e parapercepções. Cada médium recebe treinamento e tarefas compatíveis com aquilo que pode oferecer. Reflexões sobre Ramatís

Isso não significa que qualquer diferença de estilo prove autenticidade. Seria outra ingenuidade. Apenas significa que diferença de estilo, por si só, não prova falsidade.

UMA EQUIPE TRABALHA COM TALENTOS DIFERENTES

Qualquer administrador razoável sabe que uma equipe funciona melhor quando cada integrante é colocado onde rende mais. Um escreve bem, outro fala melhor, outro organiza, outro pesquisa, outro possui mais capacidade técnica, outro maior habilidade de síntese. Uma equipe inteligente não exige que todos façam exatamente a mesma coisa da mesma maneira.

Dentro da visão apresentada por Ramatís em minhas obras, a lógica é semelhante no plano extrafísico. Mentores e médiuns são aproximados conforme afinidades e competências, formando combinações específicas. Não existe apenas um espírito atuando isoladamente sobre um médium; há equipes, revezamentos, compatibilidades bioenergéticas e intelectuais, além dos compromissos kármicos e dhármicos de todos os envolvidos.

Isso ajuda a compreender por que determinados médiuns recebem conteúdos mais técnicos, outros mais poéticos, outros mais voltados à reforma íntima, à mediunidade, à projeção astral, à saúde, ao universalismo ou às questões sociais. Não precisamos imaginar uma competição. Podemos enxergar faixas complementares de trabalho.

Em Reflexões sobre Ramatís e sua Egrégora, proponho justamente essa visão de conjunto: os médiuns possuem posturas semelhantes em certos pontos gerais, mas atuam em faixas específicas, com dharmas paralelos, complementares e convergentes. Quando observamos apenas um trabalhador, vemos uma peça; quando ampliamos a visão, começamos a perceber o quebra-cabeças. Reflexões sobre Ramatís

E COMO SABER SE UMA MENSAGEM É REALMENTE DE RAMATÍS?

Essa é a parte difícil e não existe carimbo mágico.

O primeiro erro seria tentar resolver tudo pela comparação literária. Espírito não é estilo de fonte tipográfica. Um mentor experiente pode adaptar sua comunicação ao médium, ao público e ao assunto. O segundo erro seria acreditar em qualquer texto apenas porque alguém colocou “Ramatís” no final. Nome espiritual também não é garantia de qualidade.

Então sobra aquilo que sempre sobra: discernimento.

É preciso observar coerência, profundidade, universalismo, fraternidade, qualidade moral, ausência de fanatismo, capacidade de esclarecer e principalmente o conjunto do trabalho. Também considero importante a sensibilidade parapsíquica, quando existente, mas nem mesmo ela deveria funcionar isoladamente da razão, da experiência e da autocrítica.

Em minha visão, o conteúdo deve ser estudado antes do culto ao nome. Uma mensagem que estimula preconceito, vaidade, exclusivismo, superioridade de grupo e dependência psicológica já apresenta problemas, independentemente de quem a assine. Um texto útil, lúcido, fraterno e transformador merece ao menos ser estudado, mesmo antes de qualquer conclusão definitiva sobre a identidade do comunicante.

DIFERENÇA NÃO SIGNIFICA CONTRADIÇÃO

Também é importante separar diferença de contradição. Dois médiuns podem abordar assuntos distintos, empregar linguagens diferentes e aprofundar áreas específicas sem estarem se contradizendo. Um pode trabalhar mais a consolação, outro o esclarecimento; um pode escrever de forma suave e poética, outro de forma direta, técnica e até dura. O próprio Ramatís, em diferentes obras e médiuns, já aparece com tonalidades bastante variadas.

O problema surge quando o leitor escolhe uma versão como padrão absoluto e passa a rejeitar todas as demais. Isso cria um “Ramatís particular”, moldado ao gosto do seguidor. Depois, tudo que foge daquele molde é recusado. Nesse momento, já não estamos mais estudando Ramatís; estamos protegendo nossa preferência pessoal.

A mediunidade é humana e espiritual ao mesmo tempo. É justamente por isso que apresenta variações.

Se compreendermos esse ponto, desaparece a necessidade de transformar médiuns em concorrentes. Cada um pode realizar sua parte, dentro de suas limitações e talentos, sem que um precise invalidar o outro. O que realmente importa é o resultado consciencial do trabalho, sua utilidade, coerência, cosmoética e capacidade de ampliar a visão do leitor.

Ramatís não precisa de médiuns iguais. Precisa, dentro dessa perspectiva, de trabalhadores capazes de oferecer instrumentos diferentes para uma tarefa muito maior que todos eles.

Dalton Campos Roque
ramatis.org
consciencial.org

 

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