RAMATÍS É ESPÍRITA? A PERGUNTA É MAIS LIMITADA QUE A RESPOSTA

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RAMATÍS É ESPÍRITA? A PERGUNTA É MAIS LIMITADA QUE A RESPOSTA

É comum alguém conhecer Ramatís através de um centro espírita, de uma livraria espírita ou de livros classificados editorialmente como espiritismo e concluir rapidamente: “Ramatís é espírita”. A afirmação não chega a ser absurda, pois existem enormes afinidades entre sua obra e vários fundamentos conhecidos no Espiritismo, como reencarnação, mediunidade, continuidade da consciência após a morte, comunicação entre encarnados e desencarnados, responsabilidade moral e evolução espiritual. O problema começa quando o rótulo deixa de ser uma referência didática e passa a funcionar como uma cerca.

Ramatís é muito maior que uma cerca doutrinária. Sua visão atravessa religiões, escolas iniciáticas, filosofias orientais e ocidentais, mediunidade, projeção astral, bioenergias, karma, dharma, cosmoética e evolução consciencial. Em minhas pesquisas, estudos e vivências mediúnicas, nunca percebi Ramatís preocupado em converter alguém ao Espiritismo, à Umbanda, ao Hinduísmo ou a qualquer outra linha. A preocupação maior está na consciência, na fraternidade, no esclarecimento e na transformação íntima. Em Reflexões sobre Ramatís e sua Egrégora, desenvolvo exatamente essa ideia: os rótulos humanos podem ser úteis para organização, mas tornam-se limitações quando substituem a espiritualidade real, que é estado de consciência. Reflexões sobre Ramatís

O ESPIRITISMO É UMA PARTE, NÃO O TODO

Tenho respeito pelo Espiritismo e por sua contribuição histórica, mas não vejo motivo para transformar uma escola espiritual em fronteira do Universo. Uma doutrina pode conter conhecimentos valiosos sem conter todo o conhecimento possível. Isso vale para o Espiritismo, para a Teosofia, a Umbanda, o Budismo, a Conscienciologia, a Rosacruz, o Hinduísmo e para qualquer outra estrutura humana de estudo.

É justamente aí que o universalismo de Ramatís se torna importante. Não se trata de jogar todas as doutrinas dentro de uma panela e mexer. Universalismo exige discernimento. Ele reconhece convergências, diferenças, acertos, limitações e contextos históricos, sem precisar destruir uma linha para valorizar outra. Em minha obra escrevo sobre um “evangelho da consciência”, uma visão que ultrapassa credos, religiões e culturas e que identifico com o espiritualismo universalista. Reflexões sobre Ramatís

Sob esse ângulo, podemos dizer que Ramatís dialoga profundamente com o Espiritismo, mas não cabe inteiro dentro dele. Da mesma forma, dialoga com conhecimentos orientais sem ser propriedade do Hinduísmo; fala de energias sem pertencer a uma escola específica de bioenergias; aborda Jesus sem defender exclusivismo cristão; aproxima-se de conceitos utilizados na Umbanda sem se tornar propriedade dela. Sua característica mais evidente é justamente atravessar fronteiras.

O PROBLEMA NÃO ESTÁ NO RÓTULO, MAS NO APEGO AO RÓTULO

Se alguém disser “sou espírita e estudo Ramatís”, não vejo problema algum. Se disser “sou umbandista e estudo Ramatís”, também não. O mesmo vale para um espiritualista independente ou para alguém sem qualquer filiação religiosa. A dificuldade aparece quando a pessoa acrescenta silenciosamente uma segunda frase: “portanto, Ramatís precisa pensar exatamente como minha doutrina”.

Aí começamos a fabricar um Ramatís à nossa imagem. Isso acontece em todas as linhas. Nós, seres humanos, gostamos de confirmar aquilo que já acreditamos. Quando encontramos uma ideia nova que combina com nossa estrutura mental, abraçamos. Quando a mesma fonte apresenta algo que ultrapassa essa estrutura, começamos a desconfiar da fonte. É um mecanismo muito conveniente: aceitamos o mestre enquanto ele concorda conosco.

Ramatís, porém, não parece interessado em ser confortável. Em suas mensagens há elementos que agradam espíritas, outros que agradam umbandistas, outros que conversam melhor com estudiosos orientais, projetores astrais, pesquisadores de bioenergias e espiritualistas independentes. Isso não significa incoerência. Significa amplitude de abordagem e adequação didática aos diversos públicos e momentos históricos.

A própria diversidade dos médiuns ligados à sua egrégora confirma essa elasticidade. Os trabalhos apresentam estilos, enfoques e linguagens diferentes, porque os médiuns são diferentes. Em minhas obras, Ramatís explica que cada trabalhador possui talentos, características psicológicas, bagagem intelectual, karma e dharma específicos. A tarefa espiritual aproveita essas diferenças em vez de tentar apagá-las. Reflexões sobre Ramatís

RAMATÍS NÃO PRECISA DE UMA RELIGIÃO

Essa talvez seja uma dificuldade dos encarnados: imaginamos o plano espiritual segundo nossos departamentos terrestres. Aqui temos nomes, instituições, estatutos, prédios, cargos, presidentes, diretorias, federações e associações. Depois desencarnamos e imaginamos que o Universo também esteja dividido em repartições religiosas.

Não funciona assim. As consciências se aproximam principalmente por afinidades, objetivos, valores, compromissos kármicos, dharmas e sintonia. Uma egrégora espiritual pode trabalhar com pessoas encarnadas vinculadas a várias linhas diferentes sem qualquer contradição. O que importa é o trabalho possível, a qualidade da intenção, a capacidade de cooperação e o nível consciencial de cada participante.

Por isso considero inadequado disputar Ramatís entre religiões. A discussão “ele é espírita ou não é?” pode ser útil como introdução didática, mas perde importância quando aprofundamos a questão. O que realmente interessa é compreender os princípios que atravessam sua obra: responsabilidade pessoal, reencarnação, karma, dharma, fraternidade, serviço, autoconhecimento, liberdade de pensamento, mediunidade responsável e evolução consciencial.

Na própria obra Mensagens de Ramatís e Amigos Espirituais, aparece claramente uma visão que coloca o bem acima das religiões e doutrinas e apresenta Budismo, Espiritismo e Umbanda como caminhos possíveis dentro de uma compreensão espiritual mais ampla. Livro Mensagens de Ramatis 2026…

ENTÃO, COMO DEFINIR RAMATÍS?

Se alguém precisar muito de uma classificação, eu usaria mentor espiritual universalista. É uma expressão mais ampla e menos deformadora. Ainda assim, continua sendo apenas um rótulo humano utilizado para facilitar uma conversa.

Prefiro estudar conteúdos a defender etiquetas. Podemos aprender muito com Kardec sem sermos kardecistas ortodoxos, aprender com Buda sem sermos budistas, com Krishna sem sermos hinduístas, com Jesus sem pertencermos a uma igreja e com Ramatís sem nos transformarmos em “ramatistas”. O conhecimento não perde valor porque atravessou uma fronteira doutrinária.

Ao contrário: quando consegue atravessá-la sem perder a fraternidade, talvez esteja apenas começando a mostrar sua verdadeira dimensão. Ramatís não precisa ser reduzido para caber em nossas caixas. Somos nós que precisamos ampliar nossas caixas para compreender um pouco melhor Ramatís.

Dalton Campos Roque
ramatis.org
consciencial.org

 

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