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Quando comecei a estudar espiritualidade de forma mais sistemática, percebi uma coisa que depois se tornou muito clara em meus livros: dificilmente conseguimos compreender um tema consciencial isolando-o de todos os outros. Karma sem dharma fica incompleto, dharma sem responsabilidade pessoal vira discurso bonito, projeção astral sem bioenergia perde boa parte de sua base prática, e espiritualidade sem discernimento pode facilmente se transformar numa coleção de crenças. Essa integração aparece de várias maneiras em O Karma e Suas Leis, O Dharma e Suas Leis, Estudos Espiritualistas e Viagem Astral: O Guia do Estudante, obras diferentes entre si, mas que acabam se encontrando quando observamos a consciência como um ser em processo evolutivo.
Karma não é castigo
Um dos problemas mais comuns quando se fala em karma é reduzi-lo a uma espécie de contabilidade cósmica de prêmios e punições. Desenvolvi longamente em O Karma e Suas Leis uma visão muito mais ampla, ligada à responsabilidade, às escolhas, às consequências e ao aprendizado da consciência através das vidas. O karma não precisa de um fiscal espiritual anotando nossos erros. Nós mesmos carregamos tendências, afinidades, condicionamentos, vínculos e necessidades evolutivas que ajudam a construir as condições futuras de nossa caminhada.
Essa perspectiva muda também a forma como olhamos para acontecimentos difíceis. Em O Karma e Suas Leis procuro mostrar que não temos elementos para observar uma pessoa, enxergar alguns anos de sua existência atual e concluir arrogantemente quais seriam as causas de tudo o que lhe acontece. A trajetória consciencial é muito maior que uma única vida física. Existem relações anteriores, escolhas, compromissos, reencontros e inúmeras variáveis que escapam à nossa percepção comum.
Por isso gosto de aproximar O Karma e Suas Leis de O Dharma e Suas Leis. Um fala muito da dinâmica das causas e consequências; o outro nos obriga a olhar para aquilo que podemos fazer com as condições que possuímos agora. Não basta perguntar de onde veio determinado problema. Em algum momento precisamos perguntar o que faremos a partir dele.
Dharma não é destino pronto
Também existe bastante confusão em torno do dharma. Há quem imagine uma missão rigidamente escrita em algum lugar do Universo, como se nascêssemos com um roteiro fechado e qualquer desvio representasse fracasso. Em O Dharma e Suas Leis trabalho uma visão mais dinâmica. Existem tendências, programações, possibilidades, compromissos e tarefas, mas a consciência continua exercendo escolhas dentro das condições que encontra.
É exatamente aí que O Dharma e Suas Leis conversa novamente com O Karma e Suas Leis. Aquilo que chamamos de karma constitui parte do campo em que atuamos; o dharma envolve também nossa resposta diante desse campo. Duas pessoas submetidas a dificuldades semelhantes podem produzir resultados conscienciais completamente diferentes porque não importa apenas aquilo que acontece conosco, mas a qualidade das respostas que construímos.
Em O Dharma e Suas Leis essa responsabilidade não se limita a grandes missões públicas. Nem todo dharma precisa produzir livros, instituições, multidões ou acontecimentos espetaculares. Às vezes ele se manifesta dentro de uma família, numa profissão aparentemente comum, no auxílio discreto a determinadas pessoas ou no esforço íntimo de superar padrões que atravessaram várias existências. Quando compreendemos isso, O Dharma e Suas Leis deixa de ser um estudo sobre encontrar uma suposta missão grandiosa e passa a ser também uma reflexão sobre utilidade evolutiva.
Estudar espiritualidade exige integração
Foi justamente a necessidade de juntar assuntos aparentemente separados que me levou, em diferentes momentos, ao trabalho desenvolvido em Estudos Espiritualistas. Não vejo vantagem em criar pequenos compartimentos estanques onde mediunidade fica de um lado, projeção astral de outro, karma em outra gaveta e bioenergias em alguma prateleira distante. A consciência que experimenta todos esses fenômenos é a mesma.
Em Estudos Espiritualistas procurei trabalhar essa visão de síntese, dialogando com diferentes tradições e linhas de pensamento sem sentir necessidade de me aprisionar a nenhuma delas. Esse espírito universalista continua sendo importante para mim. Podemos aprender com o Espiritismo, com tradições orientais, com a projeção consciente, com a parapsicologia, com estudos das energias e com muitas outras fontes, sem transformar nenhuma delas numa nova prisão intelectual.
Essa liberdade, entretanto, não significa aceitar tudo. Estudos Espiritualistas nasceu também da necessidade de comparar, questionar e organizar ideias. Universalismo não é colocar todas as afirmações dentro do mesmo saco e declarar que são igualmente verdadeiras. É possuir abertura suficiente para estudar várias fontes e discernimento suficiente para reconhecer diferenças, contradições, exageros e limites.
Quando releio determinados pontos de Estudos Espiritualistas, percebo como eles se conectam naturalmente com O Karma e Suas Leis. Estudar fenômenos espirituais sem considerar responsabilidade e consequência pode alimentar apenas curiosidade. Da mesma maneira, discutir karma sem conhecer a estrutura energética, psíquica e extrafísica da consciência reduz excessivamente o problema.
Viagem astral não é turismo extrafísico
Outro assunto no qual essa integração se torna evidente é a projeção da consciência. Em Viagem Astral: O Guia do Estudante procurei tratar a saída consciente do corpo de maneira prática, mas sem transformá-la numa aventura turística pelo mundo espiritual. Sair do corpo pode ampliar a percepção da realidade, mas não transforma automaticamente ninguém numa consciência madura.
Uma pessoa pode estudar técnicas, experimentar fenômenos interessantes e continuar levando para fora do corpo os mesmos medos, vaidades, preconceitos e desequilíbrios que manifesta durante a vigília. Por isso Viagem Astral: O Guia do Estudante não pode ser separado completamente de temas desenvolvidos em O Karma e Suas Leis e O Dharma e Suas Leis. Continuamos sendo nós mesmos, dentro ou fora do corpo físico, e continuamos respondendo pela qualidade de nossas escolhas.
Em Viagem Astral: O Guia do Estudante a experiência projetiva tem valor especial quando produz lucidez. Não importa apenas lembrar que voamos, atravessamos uma parede ou encontramos determinada consciência. Interessa perceber o que aprendemos, como reagimos, quais padrões emocionais apareceram e de que maneira aquela experiência modifica nossa vida intrafísica.
Essa postura aproxima Viagem Astral: O Guia do Estudante novamente de Estudos Espiritualistas, pois estudar a consciência exige relacionar teoria, experiência e discernimento. Fenômeno por fenômeno não basta. O fato de alguém perceber energias, ter clarividência, produzir fenômenos mediúnicos ou sair conscientemente do corpo demonstra determinadas capacidades, mas não certifica automaticamente sua maturidade espiritual.
Conhecimento sem transformação serve para quê?
Depois de tantos anos estudando essas questões, considero cada vez mais importante fazer essa pergunta. Podemos acumular centenas de conceitos sobre chacras, karma, dharma, reencarnação, mediunidade e dimensões extrafísicas. Podemos ler Estudos Espiritualistas, estudar O Karma e Suas Leis, aprofundar O Dharma e Suas Leis e praticar as propostas de Viagem Astral: O Guia do Estudante. Ainda assim, o ponto decisivo continua sendo o que fazemos com esse conhecimento.
Se o estudo do karma nos torna mais julgadores, alguma coisa saiu errada. Se a ideia de dharma alimenta sentimento de superioridade ou de missão especial, também saiu errada. Se a projeção astral aumenta apenas a vaidade do projetor, perdeu-se uma excelente oportunidade de crescimento. E se o estudo espiritualista serve somente para aumentar nosso vocabulário, mas não modifica nossas relações, escolhas e valores, acumulamos informação sem transformá-la em sabedoria.
Por isso O Karma e Suas Leis continua para mim ligado à responsabilidade; O Dharma e Suas Leis, à direção e à utilidade da existência; Estudos Espiritualistas, à integração de conhecimentos; e Viagem Astral: O Guia do Estudante, à experiência direta e ao desenvolvimento da lucidez. São portas diferentes para uma mesma questão central: o que estamos fazendo com a consciência que somos?
Talvez essa seja uma das perguntas mais simples e mais difíceis da espiritualidade. Não precisamos respondê-la apenas com teorias. A resposta vai sendo escrita diariamente na maneira como pensamos, sentimos, escolhemos, erramos, corrigimos rumos, ajudamos e seguimos adiante.
