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Ramatis Livros Espíritas Universalistas

VOANDO ESPIRITUALMENTE COM OS BUDAS E BODHISATTVAS

VOANDO ESPIRITUALMENTE COM OS BUDAS E BODHISATTVAS

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Wagner Borges – www.ippb.org.br

(A Visão de uma Passagem Luminosa no Centro da Noite estrelada)

Eu os vi partir…
Na calada da noite, eles se foram…
O mundo não viu seus corpos caírem na terra.
E seus lamentos não foram ouvidos pelos homens.
Não, não foram ouvidos…
Mas eles tinham grande fé!

Fora do alcance da visão comum, eu os vi, além…
Sim, eu os vi voando para fora de seus corpos caídos.
E uma Luz os guiava por entre as estrelas…
E, bem no meio dela, os Budas e Bodhisattvas cantavam*.

Lá em cima, mais alto que a cordilheira do Himalaia, brilhava uma Luz…
E a Compaixão abraçava aqueles que partiam de volta para casa.
Embaixo, os seus corpos foram queimados, e suas cinzas jogadas ao vento.
Entretanto, acima, eles flutuavam livres, em espírito…

Ah, eles eram tão lindos, como pássaros de Luz brilhando na noite.
Eram como gaivotas luminosas singrando os céus do Oriente…
Eles voavam bem vivos, na Luz de um Grande Amor.

Eu os vi, com meu coração… e senti o voo deles dentro de mim.
E também senti o abraço sereno que os amparou na jornada final.
E era como se eu estivesse ali, junto com eles, por entre os mundos.
E eu sentia mais: eles eram meus irmãos do Oriente.

Ah, os Budas e Bodhisattvas estavam cantando…
Enquanto a Luz da Compaixão levava meus irmãos para casa.
Eu os vi partir… e fiz uma prece por eles.
Mas eles não precisavam de prece alguma, pois já estavam na Luz.
Eu é que precisava, para serenar minhas emoções e testemunhar a viagem deles.

Sim, para dizer que eles não morreram…
E que são pássaros de Luz.
Para dizer que os Budas e Bodhisattvas os levaram para o Céu.
Para dizer de uma Luz que opera sutilmente, por obra de um Grande Amor.

Eles voaram mais alto que as montanhas do Himalaia…
Na Luz dos Budas e Bodhisattvas.
Eles tinham fé! E tornaram-se gaivotas de luz.
E seguiram em frente, bem vivos…

Eu os vi, com meu coração…

Paz e Luz.
Amor e Fé.
Discernimento e alegria.

(Dedicado ao mestre budista Chagdud Tulku Rimpoche**.)

– Wagner Borges – mestre de nada e discípulo de coisa alguma, em espírito e verdade, na Luz de um Grande Amor.

– Notas:
* Buda – do sânscrito – O Iluminado; aquele que despertou! Palavra derivada de “Buddhi”, que significa “Iluminação Pura” ou “Inteligência Pura”. Ou seja, quem alcança o estado de Buddhi, torna-se um Buda, um Ser iluminado e desperto.
(Boddhisattvas – do sânscrito – são aqueles seres bondosos que estão perto de tornarem-se Budas ou Iluminados. Para facilitar a explicação, podemos dizer que eles são canais espirituais ou avatares conscientes do Amor de todos os Budas).
** Sua Eminência Chagdud Tulku Rinpoche nasceu no leste do Tibete (Kham) em 1930. Reconhecido aos quatro anos como um tulku (encarnação de um mestre de meditação), recebeu treinamento rigoroso e aprofundou os seus estudos em retiros extensos. Ele tinha uma afinidade especial com as artes sagradas e com a medicina tibetana, e era famoso por sua voz maravilhosa como cantor.
Em 1959, ele escapou da ocupação comunista do Tibete e viveu exilado em comunidades de refugiados na Índia e no Nepal, até se estabelecer nos Estados Unidos, em 1979. A pedido dos seus alunos ocidentais, estabeleceu a Fundação Chagdud Gonpa, uma bem sucedida rede de centros da linhagem Nyingma do Budismo Vajraiana.
Em 1994, Rinpoche mudou-se para o Brasil, estabeleceu o Chagdud Gonpa Brasil e começou a construção do seu centro principal, Khadro Ling, no Rio Grande do Sul.
Quando desencarnou, em 2002, ele havia estabelecido mais de vinte centros no Brasil, Uruguai e Chile.
Ao viajar e ensinar constantemente, irradiando entusiasmo e compaixão, tornou-se o lama do coração de centenas de alunos e foi uma inspiração profunda para milhares de outros. Quando lhe perguntavam por que, aos sessenta e quatro anos, mudou-se para a América do Sul ao invés de permanecer confortavelmente nos Estados Unidos, respondia:
“Percebi a fé dos brasileiros e o seu interesse no Budismo e quis ensiná-los”.
Obs.: Enquanto eu digitava essas linhas, rolava aqui no som a bela canção “Tibetan Plateau”, da vocalista chinesa Li Na. Inclusive, há um lindo vídeo dela cantando a música no Youtube, que pode ser acessado no seguinte link:

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